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COMO É BOM ESTAR EM CASA NOVAMENTE

Me sinto velho e fraco. Para Gilwell vou voltar. Lá um curso assim que eu possa vou tomar!

Nova Friburgo, 1989... um ano que nunca me esquecerei e que guardo em minhas lembranças com muito carinho e saudosismo. Estava indo para a antiga quinta série do ensino fundamental (atualmente sexto ano), quando tive contato com um senhor que se cumprimentava todos os alunos do colégio Anchieta. Todos os dias, na entrada do colégio, lá estava ele. De pé, ao fim de uma escadaria com mais de cinquenta degraus, cumprimentando cada aluno pelo seu nome, com um bom dia que nos fazia se sentir bem. Alguns alunos ele dava a mão esquerda e levava a mão direita sobre a fronte e dizia para alguns; “O Melhor Possível” e para outros “Sempre Alerta”. Não entendia o que aquilo significava. Até que um dia eu tomei a atitude de cumprimentar ele com a mão esquerda e ele sorriu para mim e disse: "Você quer ser escoteiro?"

Foi então que entendi o que aquilo significava, era um cumprimento! Imediatamente respondi ao padre Selvaggi que sim, que queria muito ser escoteiro e que jamais imaginei estar tão perto do escotismo como estava naquele momento. Sempre quis ser escoteiro! Lembro de ter visto filmes americanos sobre escotismo na década de 80. E queria muito ser. Achava que não existia no Brasil o escotismo. Lembrando que estamos falando de uma época que não existia internet.

Na época o 40º Grupo Escoteiro Anchieta possuía todos os ramos escoteiros, porém a tropa escoteira era dividida em duas. Havia a tropa escoteira do colégio e o padre Selvaggi possuía uma patrulha, que ele mesmo chefiava. Essa patrulha era a patrulha do padre Selvaggi e eu tive a honra de ser um dos seus escoteiros. Além das reuniões normais do grupo, nós da patrulha do padre, tínhamos durante a semana alguns encontros com ele para tomarmos instruções.

Comecei como lobinho, porém, já estava próximo da idade de ser escoteiro e logo fui para a patrulha do pe. Selvaggi. Foram muitas aventuras vividas nesse período da minha infância. Trago no coração uma saudade muito grande do meu querido amigo pe. Giovanni Sevaggi. Que grande honra tenho em ter sido escoteiro do fundador do grupo.

Na minha caminhada como escoteiro, conheci muitas pessoas, irmãos e irmãs de fraternidade que até hoje mantenho contato. Apesar da vida nos ter tirado alguns e outros estarem muito distantes, ainda nos falamos pelas redes sociais. Neste artigo, quero externar a minha gratidão ao chefe Marcelo do GE Anchieta e sua esposa, chefe Eliane, por me auxiliar a retornar ao movimento escoteiro. Um desejo que estava me consumindo há tempos em retornar para a minha antiga casa.

Muitos projetos do grupo estão sendo preparados para o ano de 2022. E quero poder fazer parte dessa nova caminhada. Estou preparando uma página de internet independente para o fomento do escotismo no Brasil. Em breve você poderá acessar a página escotismo.com.br e acompanhar comigo as aventuras escoteiras.

POR QUE NUNCA DEIXEI DE SER ESCOTEIRO?

Iniciei a minha vida escoteira no ano de 1989 no 40º Grupo Escoteiro Anchieta, em Nova Friburgo, Rio de Janeiro. Digo para todos que este ano eu estava iniciando um grande sonho. Pois havia assistido um filme americano alguns anos antes (não me lembro o nome) e fiquei encantado com as aventuras que os jovens trajados com o uniforme escoteiro vivenciaram.  Eu queria aquilo para mim. Mas não sabia que existia um grupo. Era um sonho, um sonho que talvez nunca iria realizar. Na época, o Colégio Anchieta, era dividido em duas unidades. Possuía um prédio para as primeiras séries escolares até a quarta série primária (atualmente quinto ano). E uma outra unidade que seguia em diante no ensino fundamental e médio. O prédio onde estudava era do pré escolar. E quando tive que ir para o outro, onde iniciava a antiga quinta série (hoje sexto ano), tínhamos que subir diversos degraus. Não me lembro o número, mas com certeza passavam de cinquenta! E sempre que chegávamos ao fim dos degraus, lá estava ele! Um senhor que sempre trajava uma batina preta. Cumprimentava cada aluno que chegava com um aperto de mãos e dizendo seu bom dia seguido do nome do aluno que cumprimentava. Que memória! Aquilo sempre me impressionou!
Alguns alunos, o cumprimentava de forma diferente! Estendiam-lhe a mão esquerda e faziam uma espécie de continência! Ainda diziam algo que eu não entendia o que era. Foi nesse período que conheci o fundador do grupo de escoteiros; o saudoso padre Selvaggi. Este que me acolheu no grupo de escoteiros assim que perguntei o que era aquele cumprimento. Tempos mais tarde, veio a ser o meu padrinho de promessa escoteira.
A vida escoteira foi tão boa, que eu jamais quis me afastar. Quanta coisa boa eu aprendi! Ali fiz amigos, que carrego até hoje no coração. O escotismo me tornou um homem muito melhor! Me fez compreender as minhas limitações e me fez entender que eu tinha apenas um concorrente em minha vida; eu mesmo! E que o ato de se superar é a melhor coisa do mundo! Muitos ensinamentos me foram passados e carrego comigo até hoje.
Mesmo longe do escotismo, ainda carrego em meu coração aquela chama da vida que eu vivi. Sempre me pego cantarolando canções escoteiras. Algumas pessoas estranham, me perguntam de onde tiro tais músicas quando me pegam cantando. Neste momento dou aquela risada de satisfação e respondo apenas que é uma canção antiga, de um tempo em que fui realmente muito feliz.
Nunca deixei de ser escoteiro. Pois uma vez escoteiro, sempre escoteiro! Ah, que saudade me bateu agora dos acampamentos, dos jogos, do fogo do conselho,... Quanta coisa boa! Uma vida vivida na natureza, nos livros, com bons amigos, digo, irmãos! E desde então eu sinto em meu coração que sou escoteiro. E como tal procuro viver. Obrigado irmãos. Obrigado Pe. Selvaggi!
Um dia, eu sei, volto a Giwell, terra boa! Lá um curso assim que eu possa eu vou tomar!
Sempre Alerta!